sábado, 21 de outubro de 2006

História de David, o Índio



Em certa ilha, havia um índio chamado David.
Se alguém quer saber porque é que um índio se chama David,
vai ter tempo de o fazer depois (piada cósmica). A ilha onde David vivia era bonita e abundante em caça. David era de descendência real porque o seu pai tinha sido chefe. David levava uma vida feliz; havia alimentos com fartura e abundavam muitas plantas comestíveis. A tribo de David viveu feliz durante anos. Mas um fenómeno estranho envolvia a ilha, porque havia um banco de nevoeiro muito espesso que se erguia a cinco quilómetros da costa. A ilha estava totalmente rodeada por esse nevoeiro, mas, como nunca atingia a costa, os dias eram geralmente límpidos e cheios de sol. A parede de bruma permanecia a cinco quilómetros da costa como um sinal inquietante, e ninguém conseguia ver para além dele. David cresceu com a presença constante desse nevoeiro, e já se contavam inúmeras gerações desde que as pessoas da vila o observavam. Não compreendiam e tinham medo porque alguns aldeões já se tinham aventurado dentro do nevoeiro e não tinham regressado.
Em criança, David lembrava-se de ter visto um dos membros mais velhos da tribo que, quando estava prestes a morrer, escolhera subir para a sua canoa e entrar no nevoeiro.

De noite, à volta do fogo, era frequente contarem-se toda a espécie de histórias sobre o que aconteceria a
quem se aventurasse a entrar naquela neblina. Os aldeões cedo aprendiam que, se alguém lá entrasse, todos os outros habitantes da aldeia deveriam ir para as suas casas e não olhar para o que se passaria. Aquela bruma, portanto, inspirava um grande receio. Mas David, que era de sangue real, teve a oportunidade de, em criança e, mais tarde, na adolescência, observar estes raros acontecimentos com os anciãos. O único caso de que se lembrava bem era o desse velho. Recordava-se de o ter visto partir e, às tantas, levantar o remo enquanto a canoa deslizava docemente para dentro do nevoeiro. Como era esperado, o velho nunca mais regressou.
Tal como os Antigos diziam: “Ninguém que se tivesse aventurado no nevoeiro alguma vez regressara”. Apesar disso, depois do velho ter mergulhado na névoa, os membros da casa real ficaram horas a olhar, esperando que acontecesse qualquer coisa diferente do previsto: tinham essa esperança pois, ao fim de um certo tempo, sempre se ouvia um grande barulho que lhes trespassava o coração de medo, um mugido abafado que não conseguiam identificar.
David lembrar-se-ia disso para o resto dos seus dias.
Quem sabia afinal o que se passava? Haveria um monstro do outro lado do nevoeiro? Seria aquilo o barulho de um turbilhão gigante ou de uma queda de água imensa, que levava à morte aqueles que ousavam penetrar nas brumas?

Quando David tinha 34 anos, por mais estranho que possa parecer, sentiu-se atraído pela bruma. Sentia que qualquer coisa faltava na sua vida. Acaso seria uma verdade adormecida há anos e que, sem ele saber bem porquê, pensava vir a encontrar dentro daquele nevoeiro?
Bom, pensava David, se era verdade que nenhum aldeão tinha voltado, tal não queria dizer que tivesse morrido.
E foi assim que, sem dizer nada aos anciãos da aldeia, se pôs corajosamente em acção para investigar o que haveria do outro lado. Totalmente consciente do que estava a fazer, subiu lenta e cerimoniosamente para a sua canoa. Agradeceu a Deus pela vida que tinha levado e pela revelação que poderia ocorrer. Sabia que, independentemente do que acontecesse, pelo menos iria compreender. E era isso que o fazia avançar.
Ninguém o observava porque não revelara o que ia fazer.
Silenciosa e docemente, David começou a remar, e depressa se viu muito perto do banco de nevoeiro. Ninguém ainda se aproximara tanto daquela cerração deliberadamente para ver o que poderia acontecer.
Então, notou algo estranho: de repente, sentiu que uma força atraía o barco para a bruma. Surpreendido com o que estava a passar-se, sentiu o medo a invadi-lo. Como já não precisasse de remar, David depositou o remo no fundo da canoa... e não tardou a desaparecer no meio do nevoeiro.
Tudo estava parado e calmo, enquanto se ia embrenhando dentro do nevoeiro e a corrente o puxava para diante.
Como cada vez ficasse mais escuro, David começou a cogitar no que se tinha metido: “Ainda sou novo; tenho ascendência real, mas traí os meus antepassados ao decidir fazer uma coisa completamente insensata!”
Como estava receoso, o medo desceu sobre ele como um manto de morte e a escuridão começou a insinuarse no seu cérebro.
Tremia de frio e de emoção, à medida que, silenciosamente, a canoa prosseguia o caminho.

David encontrava-se há imenso tempo no meio do nevoeiro e tinha a sensação de que aquilo não tinha fim. Encolheu-se todo ao aperceber-se que tinha cometido um erro. Pensou: “O que vou fazer se nada mudar?... O que vai acontecer se ficar aqui eternamente e se morrer de fome nesta canoa?” Então, de repente, surgiu diante dele a visão assustadora de todas as pessoas que tinham desaparecido antes, flutuando eternamente nas suas canoas, quais esqueletos no nevoeiro escuro. Iria ele rever aquele ancião que partira havia muitos anos?... Então, gritou para o nevoeiro em voz alta: “Será que as coisas não vão mudar?... Onde está a verdade que procuro?”.

Finalmente, algo aconteceu: David emergiu do outro lado da bruma! E logo se espantou com o que viu: ali, diante dele, estava um continente. O céu abrira e via muitos aldeões e muitas aldeias até ao horizonte. Podia até ver o fumo a sair das chaminés e ouvir as pessoas nas praias.
Quando ele surgiu, os vigias, que estavam colocados ao longo do banco de nevoeiro, viram-no imediatamente e fizeram soar as suas trombetas, felizes por anunciarem que mais um aventureiro acabara de fazer a travessia. Então, David ouviu um imenso clamor a elevar-se da terra. Um clamor de celebração. Um clamor em sua homenagem. Então, rapidamente, todos o rodearam com as suas canoas e lançaram-lhe flores. Quando chegou à praia, mais pessoas acorreram para o levarem em ombros, a fim de celebrarem a sua travessia.
Nesse dia começava uma vida nova, mais rica, para David.

Poderão dizer: “Não percebo o que esta parábola quer dizer. Dirá respeito à morte?“ E a nossa resposta é:
Não, não é isso. Esta parábola, tal como vos foi comunicada esta noite, ou tal como estão lê-la, diz respeito à entrada na Nova Energia e à ascensão. Fala do que vos espera se quiserem seguir a via que está a ser oferecida. Porque cada um de vós encontra-se perante um banco de nevoeiro que, na realidade, é o vosso medo. E cada medo representa um desafio diferente e uma lição distinta para cada um.

Ouçam atentamente, porque agora vamos abordar a origem do assunto em questão.

O que é que vos provoca mais medo?... Para muitos, e sem o saberem, trata-se do medo do êxito; trata-se do medo de estarem no caminho que devem assumir, de acordo com o contrato da vossa vida; trata-se do medo da abundância. Talvez se trate, até, do medo da iluminação.
Todavia, pedimos, a todos, que, com coragem, enfrentem esse medo de cabeça erguida. Pouco importa o que vos provoca maior ansiedade – isso que é o carma da vossa vida. Seja o que for, devem enfrentá-lo com grande rectidão e coragem sabendo que não passa de uma fachada. É como o banco de nevoeiro da parábola: do outro lado, uma grande celebração vos espera! O medo, porém, não é alheio a isto. Quais são os outros medos que, na vossa opinião, poderiam apresentar-se esta noite? Talvez o medo das relações – o medo de estar ou não numa relação?... Cada um é diferente.

Mas há um outro medo que domina o espírito de alguns Humanos aqui presentes.
Meus queridos, nós sabemos quem são. Conhecemos os vossos pensamentos mais secretos. Os que estão sentados a escutar ou a ler, acaso acham que são uma espécie de massa humana sem rosto?... De forma nenhuma! Sabemos o vosso nome, porque o trazemos no nosso coração.
Alguns viveram tragédias inconcebíveis ao longo de muitas vidas. O medo que muitos sentem está ligado à memória das trevas... onde, é claro, não desejam voltar. Evitam lembrar-se dos acontecimentos e das tragédias que, na altura em que os viveram, não só vos quebraram o coração, como podem ter parecido injustos.
São coisas que dão medo só de pensarem que têm de as experimentar outra vez.

Mas deixem-me dizer do que é que, na verdade, têm medo: têm medo, a nível celular, de tomar consciência
de terem sido responsáveis pelo que se passou e de terem participado na programação do que
aconteceu. Além do mais, têm medo de tomar consciência de que isso fazia parte do vosso contrato, de que tal estava previsto e de que o vosso espírito já o sabia, muito tempo antes de ter ocorrido.
Este é o vosso verdadeiro medo! Parece-vos impensável que toda essa escuridão se revele, agora, como algo que ajudaram a preparar. No entanto, genericamente, foi o que aconteceu. Mas isso vai colocar-vos perante uma experiência de aprendizagem que vos trará a paz... precisamente onde pensavam que não seria possível encontrá-la! Isto é o que se passa com alguns dos presentes, que transportam, justamente, este carma.

Porque que é que Kryon vos propõe esta parábola? O objectivo é mostrar o que é a responsabilidade.

Estão aqui com um fim concreto e um plano que já conhecem, mas que está velado para vós. Isto é revelado no 12:12! O tempo da passagem de poderes chegou: o tempo de assumir a responsabilidade pela totalidade de energia do planeta, o tempo de reconhecerem o vosso caminho.
É tempo de olharem o vosso adversário nos olhos e de lhe dizer: “Conheço-te! Sei quem tu és e escolho libertar-me do teu carma.”
São estas as provas a passar e é graças a isto que a vibração da Terra é elevada. Porque não há experiência mais suave neste planeta do que reconhecerem quem são. Porque todas as coisas que, presentemente, vos causam desgosto vão desaparecer e dissipar-se. Querem milagres para a vossa saúde?... É simples: os vossos corpos foram planeados para durar eternamente. Lembrem-se disso.

É pois com este pensamento que o Espírito vos acolhe nesta Nova Era. Eis a Nova Jerusalém! Estão instalados
nessa energia. E, a cada um de vós dizemos que chegou o tempo de se levantarem, de elevarem os braços bem alto e, de frente para o Sol, gritarem aos céus: EU SOU!... sentindo verdadeiramente o que isso significa.
Vocês são seres fantásticos. Estamos a vossos pés, esta noite, para celebrar esta Nova Era, a transferência de poderes.
Alguns dos presentes sairão daqui perturbados, pois guardam ansiedade nos seus corações. Sabem
que ouviram a verdade, mas o cérebro tentará negá-la. Não tenham, porém, medo dessa reacção. É, simplesmente, o Espírito que vos fala com amor. Outros, no entanto, ficaram curados... e sabem disso. É uma certeza, porque, cada vez que um grupo se senta na presença do Espírito, isso verifica-se. Procurem e saibam que isso vos pertence. Outros ainda, durante o tempo que estiveram aqui, foram simplesmente amados.
Pedimos que todos reivindiquem igualmente esse amor, porque, meus queridos amigos, tal é a essência da nossa relação convosco.

E assim é.


Kryon

Mensagem do livro 3 de Kryon: "Alquimia do Espírito Humano".

1 comentário:

António Rosa disse...

As parábolas do Kryon sempre me pareceram fascinantes.

Gostei e detive-me para ler, pensar e sentir.